Consumidores esperam marcas transparentes e éticas durante a Pandemia...

Fizemos discussões em grupo online para compreender como os consumidores estão vivendo a quarentena e o momento de pandemia.

Há alguns aspectos que saltam aos olhos quando falamos com as pessoas sobre este momento. Em primeiro lugar, há um certo sentido de suspensão do tempo nas suas declarações – “estamos esperando para ver como será depois”, “a vida está meio congelada”, “estamos vivendo um dia de cada vez”. O momento atual é vivido, portanto, com expectativa e como uma espera.

Por outro lado, há uma série de desafios a enfrentar no presente e os relatos já revelam uma certa adaptação a este novo estado de coisas. Ansiedade e medo foram os sentimentos iniciais, mas, aos poucos descobriram formas de controlá-los: para alguns é deixar de ver e ouvir notícias; para outros é simplesmente buscar entretenimento via streaming, assistir a lives com artistas, reunir-se remotamente com a família e amigos ou redescobrir prazer em coisas simples: cozinhar, estar com os filhos. De qualquer forma, vimos grandes esforços de autoindulgência para compensar os tempos difíceis: seja comendo guloseimas, se dando prazer ou simplesmente não se cobrando tanto por alta produtividade ou por estar bem o tempo todo.

Outro aspecto que fica muito claro é a ideia de excepcionalidade deste momento. Tudo gira e deve girar em torno do que é o principal: prevenção à doença, solidariedade com as pessoas que mais precisam e cuidado com os doentes. Há um senso de comunidade e prioridade muito intensos nos depoimentos. Por essa razão, valorizam muito ações de marcas e empresas que fizeram algo de concreto na crise: doações, ações de apoio a parceiros ou colocaram sua estrutura para produzir itens essenciais.

Descrevem-se como consumidores e cidadãos mais vigilantes agora do que sempre foram. O tempo é grave e todas as ações estão sendo observadas, afirmam. Há uma expectativa de que marcas e grandes corporações contribuam, envolvam-se ou ao menos se posicionem de alguma forma em relação à crise. Desde ações concretas de doações, até transparência na forma como conduzem a crise junto a seus colaboradores e parceiros. A palavra transparência é chave neste momento. Reconhecem que o ganho não pode ser deixado de lado, mas parece-lhes que uma marca confiável será ética no sentido de não lucrar com a crise – ou seja, não tirar proveito da crise para aumentar os seus lucros

Outro aspecto fundamental é a percepção concreta dos consumidores de que é possível ter uma vida mais simples, viver com menos e fazer as suas próprias coisas: cozinhar, cortar e pintar os cabelos, fazer as próprias unhas. Essa constatação também se aplica à compra e escolha de produtos. O momento de incerteza trouxe o desejo por controle de despesas. Neste controle que é constante estão repensando o que é essencial e o que não é na sua lista de compras e estão se dando conta de que algumas marcas mais baratas cumprem muito bem expectativas e podem ser adotadas daqui para frente.

Esses são alguns dos aprendizados que tivemos ao ouvir as pessoas entre os dias 23 e 27 de abril agora. Apresentaremos a versão completa na próxima semana. Cuidem-se!.

Camila TONI

Estudos Qualitativos

Camila Toni é psicóloga, formada na PUC de São Paulo e trabalha com pesquisa qualitativa há 20 anos.